quarta-feira, 16 de junho de 2010

Para refletir: Cena do cotidiano

Por Cacau Felix

Final de tarde com transito lento e ônibus lotado, mais um dia de trabalho que acaba, as pessoas só querem chegar em casa. As pessoas têm um semblante de cansaço. A maioria se escorava entre o corredor o ônibus. Alguém faz sinal, o ônibus para. Diante daquelas pessoas amontoadas, algumas se mobilizam. O ônibus demora, o motorista desce. Era um casal de idosos, até então, nada de especial. Alguns ameaçam reclamar da demora, mas logo percebem que devem ter paciência. Uma senhora de rosto afável e seu casaco de lã e brincos de pérola aguarda em sua cadeira de rodas que o elevador funcione e ela possa subir. O motorista tenta e não consegue, e pergunta ao trocador se ele sabe usar o equipamento. Quando o trocador consegue fazer o elevador funcionar, a rampa não alcança a calçada. Mais alguns minutos se passam. Um rapaz se oferece e sobe a cadeira com a senhora. Eles agradecem. No rosto daquele casal, a indignação. Como aqueles funcionários não sabiam mexer num simples elevador? E se aquele rapaz não tivesse ajudado? Será que o direito de ir e vir realmente está sendo cumprido? Todas essas questões se passavam não só na cabeça daquele casal, como também na cabeça de algumas pessoas que presenciaram a cena. Na minha cabeça além daquilo tudo, estava a admiração por todos os que estavam presentes naquele ônibus. Por mais que estivessem cansados, eles respeitavam mais do que nunca a igualdade de direitos.
De fato, não basta termos ônibus adaptados, temos que ter profissionais capacitados e calçadas padronizadas para que não hajam desculpas. Isso não é só uma coluna de opinião, esse texto é uma forma de protesto, é um relato da vida. Essa cena pode ser presenciada todos os dias e nem sempre com um final tão bom. Então vamos continuar falando, reivindicando e acreditando sempre que os direitos vão ser garantidos.

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