quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ônibus adaptado: Uma vitória para os cadeirantes

Por Luiz Signor

Após muitos anos, os portadores de deficiência podem se locomover utilizando o transporte público. Os ônibus adapatados são uma realidade em nosso dia-a-dia e proporcionam ao cadeirante a oportunidade de transitarem por longas distâncias com segurança e acima de tudo: respeito.

Desde outubro de 2008, todos os ônibus urbanos são fabricados conforme as normas de acessibilidade estabelecidas em decreto de 2004 do então prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. Os novos veículos já saem de fábrica com uma estrutura reforçada, equipados com um elevador e com as demais adaptações previstas.

O Blog Bota para rodar acompanhou o atleta paraolímpico, Clodoaldo Silva, fazendo o uso de um ônibus adaptado para voltar à sua resisdência, após mais uma manhã de treino.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Henrique ADAPTSURF - Kneeboard

Navegando pela internet e procurando algo para vocês, achei esse vídeo do Henrique que manda super bem nas ondas. Espero que vocês gostem e aproveitem o exemplo. Esporte é saúde!

Até a próxima

Cacau Felix




Para refletir: Cena do cotidiano

Por Cacau Felix

Final de tarde com transito lento e ônibus lotado, mais um dia de trabalho que acaba, as pessoas só querem chegar em casa. As pessoas têm um semblante de cansaço. A maioria se escorava entre o corredor o ônibus. Alguém faz sinal, o ônibus para. Diante daquelas pessoas amontoadas, algumas se mobilizam. O ônibus demora, o motorista desce. Era um casal de idosos, até então, nada de especial. Alguns ameaçam reclamar da demora, mas logo percebem que devem ter paciência. Uma senhora de rosto afável e seu casaco de lã e brincos de pérola aguarda em sua cadeira de rodas que o elevador funcione e ela possa subir. O motorista tenta e não consegue, e pergunta ao trocador se ele sabe usar o equipamento. Quando o trocador consegue fazer o elevador funcionar, a rampa não alcança a calçada. Mais alguns minutos se passam. Um rapaz se oferece e sobe a cadeira com a senhora. Eles agradecem. No rosto daquele casal, a indignação. Como aqueles funcionários não sabiam mexer num simples elevador? E se aquele rapaz não tivesse ajudado? Será que o direito de ir e vir realmente está sendo cumprido? Todas essas questões se passavam não só na cabeça daquele casal, como também na cabeça de algumas pessoas que presenciaram a cena. Na minha cabeça além daquilo tudo, estava a admiração por todos os que estavam presentes naquele ônibus. Por mais que estivessem cansados, eles respeitavam mais do que nunca a igualdade de direitos.
De fato, não basta termos ônibus adaptados, temos que ter profissionais capacitados e calçadas padronizadas para que não hajam desculpas. Isso não é só uma coluna de opinião, esse texto é uma forma de protesto, é um relato da vida. Essa cena pode ser presenciada todos os dias e nem sempre com um final tão bom. Então vamos continuar falando, reivindicando e acreditando sempre que os direitos vão ser garantidos.

Rodando pelas ruas


Por Cacau Felix

As calçadas com pouco espaço e bem movimentadas da Praça da Bandeira, na cidade carioca, são verdadeiras provas de obstáculo e resistência para quem percorre a Rua do Matoso. Mas apesar deste cenário, é possível encontrar uma loja totalmente adaptada com rampas que facilitam o acesso. Todos os detalhes foram cuidadosamente elaborados para atender um público que cada vez ganha mais espaço e mais respeito. Os funcionários assim que percebem a entrada de alguém no estabelecimento, atendem com sorrisos e se colocam a disposição para tirar qualquer dúvida. Mas o caminho até uma loja de adaptação veicular não é fácil, existe um processo burocrático antes.

As pessoas portadoras de deficiência que ainda não tem carteira de habilitação podem recorrer ao projeto Cidadania sobre Rodas, do DETRAN, que ensina aos novos motoristas a dirigir em carros já adaptados. O portador de deficiência física tem que passar por uma perícia do DETRAN que vai emitir um laudo onde vai constar a deficiência e o tipo de carro adaptado que essa pessoa precisa. O tipo de adaptação passa a constar também na carteira de habilitação. “Não adianta a pessoa chegar aqui e querer um carro adaptado. Isso tem que ser comprovado por lei. A lei determina isso”, explica Carlos Eduardo Bezerra, que trabalha com adaptação veicular há 17 anos.

O portador de deficiência pode comprar um veículo no valor de até R$ 70000 e fica isento do IPVA e ICMS. Todo esse processo de isenção dura em média 50 dias. Depois da adaptação, é emitida uma nota fiscal com garantia das peças que em média são de 3 à 4 anos.As peças são vistoriadas pelo INMETRO. O carro fica pronto em 24 horas, essa é a única parte rápida do processo. Toda essa burocracia pode ser resolvida pelas lojas de adaptação veicular que cobram um preço a mais por este serviço. O futuro motorista só vai precisar se preocupar em pegar o seu veículo e dirigir pelas estradas.

Cada carro é único. As modificações no veículo são feitas especialmente para cada pessoa de acordo com o tipo da adaptação descrita na carteira de habilitação. Em maioria, quando o carro é feito para pessoas portadoras de deficiência nas funções motoras inferiores, os comandos que seriam dados com os pés são transferidos para as mãos e os carros mecânicos são transformados em semi-automáticos. Toda adaptação é reversível. Qualquer pessoa pode dirigir um carro adaptado porque a estrutura do carro não é alterada, os pedais e a marcha continuam. Depois dessa é só colocar o sinto de segurança e rodar pelas estradas.

Saiba mais em:

Clodoaldo Silva: O 'Tubarão das Piscinas' está de volta!


Por Luiz Signor

Maior atleta paraolímpico da História do Brasil, Clodoaldo Francisco da Silva Correa, conhecido internacionalmente como Clodoaldo Silva, nasceu em Natal (RN) no dia 1 de fevereiro de 1979. Portador de deficiência cerebral, o que causou a má formação de seus memros inferiores. Clodoaldo conheceu a natação como processo de reabilitação no ano de 1996, em Natal. Em 1998, participou de seu primeiro campeonato brasileiro, quando ganhou três medalhas de ouro. Desde então colecionou medalhas, recordes e reconhecimento tanto no esporte paraolímpico, quanto no olímpico.

Em 2000, nas Olimpíadas de Sidney, Clodoaldo ganhou três medalhas de prata e uma de bronze. Em 2002, no Mundial da Argentina, o nadador bateu três recordes mundiais: nos 50m, 100m e 200m estilo livre. Já nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, Clodoaldo atingiu o ápice de sua carreira, quando conquistou seis medalhas de ouro e recebeu o apelido de ' Tubarão das piscinas'.

Em 2005 e 2006, Clodoaldo continuou a bater recordes e a ganhar medalhas nas competições que veio a disputar. Como prova do seu alto rendimento e de suas conquistas, em 2005 o atleta foi condecorado com o prêmio de melhor atleta paraolímpico do mundo, pelo Comitê Internacional Paraolímpico.

Nas Olimpíadas de 2008, realizadas em Pequim, veio a grande frustração da sua carreira. Clodoaldo Silva sempre competiu na categoria S4, mas acabou passando por uma reclassificação, o que o levou para a classe S5, onde os nadadores batem as pernas durante toda a prova, alcançam a ondulação na piscina e conseguem a chamada virada olímpica, o que na categoria S4 não é possível.

Nessa entrevista, Clodoaldo Silva, revela o motivo que o fez se afastar de natação, o que o motivou a voltar às piscinas e quais são as suas expectativas para as próximas competições.

Bota para rodar: O que o motivou a voltar a competir?

'Em 2008 teve toda aquela polêmica da reclassificação em Pequim. No regulamento do Comitê Paraolímpico Internacional diz que aquele que tem mais de três classificações internacionais, não passa por mais nenhuma classificação. Então, fui à Pequim com esse pensamento e fui pego de surpresa. Tive todo aquele abatimento. Logo depois foi diagnosticado que eu tenho um grave problema nos discos intervertebrais da coluna, o que ocasionaria a minha aposentaria mais cedo. Com essa reclassificação, com esse problema diagnosticado e além do fato de que em 2009 não teria nenhuma competição importante, eu pensei que se tivesse que parar em um ano seria em 2009. E foi isso o que eu fiz. Até pensei realmente em parar de nadar. Nesse mesmo, ano eu vim para Niterói a convite de um amigo para conhecer a ANDEF, que eu até então não conhecia. Ele me mostrou toda a estrutura, me apresentou o Cristiano (Cristiano Cerqueira, técnico do núcleo de ciência e tecnologia paraolímpica da ANDEF e atual técnico de Clodoaldo Silva) que me falou de todo essa trabalho que eles desenvolvem, do núcleo paraolímpico, de tudo que poderia ser feito a longo prazo. Era essa a motivação que eu precisava para voltar a trabalhar'.


Bota para rodar: Qual é a importância desse tipo de treinamento específico a qual tanto você quanto os outros atletas paraolímpicos são submetidos?

'Eu já treinava muito. Mas não tinha um treino tão específico e especializado para a minha deficiência. Sempre treinava em um período, cerca de 4 a 5 horas, mas somente naquele período. Conflitava muito, já que eu fazia velocidade, fazia resistência tudo na mesma hora. Com o treino do núcleo paraolímpico nós treinamos pela manhã só velocidade. Na parte da tarde somente resistência ou vice e versa. Depois vamos para a academia, para trabalhar a flexibilidade e para a psicologia. É um treinamento em que hoje nós vemos até atletas Olímpicos alcançarem um bom resultado com esse trabalho. Então eu pensei, já não sou tão novo, tenho 31 anos, em Londres vou ter 33 anos e eu preciso de detalhes para melhorar centésimos ao longo dos anos. Esses detalhes são esses treinos específicos, esses detalhes do acompanhamento diário, da presença do fisioterapeuta, da psicóloga, para que em Londres eu possa chegar eu possa estar competindo em alto nível'.



Bota para rodar: Quais são os seus objetivos na Paraolimpíada de Londres em 2012?

'Quero finalizar com chave de ouro uma trajetória que começou em 1998 com muitas vitórias. Eu acredito que essa é a motivação que eu tenho também. Poder trabalhar bem aqui, trabalhar os detalhes, para que eu possa melhorar lá na frente'.


Bota para rodar: Qual é a sua expectativa para o Mundial de Eindhoven, na Holanda que acontecerá entre 15 e 21 de agosto?


'A minha expectativa é de poder brigar por medalhas. Não sei se de ouro, prata ou bronze, mas eu vou lutar pro medalhas. Será a minha primeira competição internacional depois de Pequim e é uma categoria nova. É um desafio novo. Eu não serei hipócrita. Estou empolgado para chegar na frente de atletas que tem uma deficiência muito menor que a minha. A grande diferença da classe S4 que era a que eu fui durante toda a minha vida para a S5, é que na classe S5 a maioria dos atletas são amputados e eles conseguem ter impulsão na saída de bloco. Durante toda a prova eles batem as pernas e tem ondulação e ainda tem a virada olímpica, algo que na S4 ninguém tem todas essas virtudes. Então eu acredito que é uma classe em que eu possa brigar por medalhas e com certeza vai ter um gostinho muito melhor poder chegar na frente desses atletas e saber que eu estou em uma categoria em que a deficiência é muito menor que a minha. Será um desafio a mais. Foi isso também que me motivou para poder voltar embora até hoje eu não tenha engolido essa história da reclassificação. Tem advogados meus analisando se é possível uma reversão. Mas eles fazem a parte deles fora da água e eu tenho que fazer a minha independente de S4 ou S5 eu vou treinar, vou nadar para alcançar os meus objetivos'.


Bota para rodar: Qual é o maior desafio que o portador de deficiência física enfrenta atualmente?


'Por eu ser o Clodoaldo da Silva, eu posso dizer que não sofro mais o preconceito que antes eu sofria. Mas o caso, é que existem muitos portadores de deficiência que não alcançaram o sucesso que eu alcancei e por isso são discriminados. Mas eu acredito que a maior dificuldade que o deficiente físico sofre nos dias de hoje, é a questão de acessibilidade. Apesar de ter melhorado ainda falta o respeito por parte dos demais sobre essa questão de acessos para que os deficientes possam transitar. Por exemplo, carros que não tem o adesivo de deficiente estacionam nas vagas selecionadas para portadores de deficiência. Falta respeito com os portadores de deficiência.














terça-feira, 15 de junho de 2010

Por dentro dos esportes..

Por Daniely Salles e Luiz Signor













As atividades físicas, esportivas ou de lazer propostas aos portadores de deficiências físicas possuem valores terapêuticos evidenciando benefícios tanto na esfera física quanto psíquica. Estas atividades , geralmente são recomendadas pelos médicos por proporcionarem uma série de ganhos que favorecem a adapatação e recuperação. Entre esses ganhos destacam-se: manejo, equilíbrio, força muscular, coordenação motora, resistência física, entre muitos outros.

As modalidades esportivas costumam ser escolhidas conforme o tipo da deficiência. Os esportes paraolímpicos mais conhecidos são Bocha, Rugby, basquetebol, atletismo, natação...

No atletismo por exemplo, o sistema de resultado é semelhante a modalidade convencional olímpica, podendo ser praticado por amputados ou cadeirantes, sendo divididos em classes por grau de deficiência. Já o Rugby, é voltado para cadeirantes que sofreram lesão alta, tendo como objetivo, marcar pontos fazendo a bola ultrapassar uma linha no fundo da quadra. Outra modalidade que utiliza bolas é Bocha, que é um esporte adaptado para paralisados cerebrais severos e tem como principal objetivo alcançar a bola branca.

O basquete é jogado por lesados medulares, amputados e atletas com poliomielite de ambos os sexos, com regras similares à do basquetebol convencional, sofrendo apenas algumas pequenas adaptações.

No entanto, a prática desses esportes podem ocasionar em grande avanço no processo de reabilitação e proporciona uma melhor qualidade de vida aos portadores de deficiência.


Se beber..NÃO Dirija!

Por Daniely Salles
















No Brasil, milhares de pessoas morrem anualmente devido aos graves acidentes de trânsito, e na maioria dos casos, a bebida alcoolica é a grande vilã da história, ocasionando diversos tipos de deficiências. Para solucionar o problema, o presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou em 2008 a Lei 11.705, modificando o Código de Trânsito Brasileiro. A lei que foi apelidada de “Lei seca”, passou a considerar crime, conduzir veículos sob qualquer teor alcoolico no organismo, sujeito a punição gravíssima, suspensão da carteira de habilitação por um ano, multa, além de pena de detenção dependendo da concentração de álcool no sangue.

Apesar de a criação desta lei ter ajudado a reduzir os registros de acidentes no trânsito , muitas pessoas ainda não se conscientizaram quanto ao assunto e continuam arriscando suas vidas. Por conta disso, a própria Lei Seca tem um projeto de concentração que visa conscientizar essas pessoas quanto ao assunto.

Os mensageiros deste projeto são portadores de deficiência, que sofreram acidentes . Eles distribuem panfletos em vários lugares da cidade e mostram suas reais condições como modo de conscientizar a população.

Tiago dos Reis (Foto), de 24 anos, trabalha na concentração há um ano e meio e é exemplo de que bebida e trânsito não combinam. Ele sofreu um acidente em 2006, quando voltava de uma casa de show com dois amigos. Os três estavam totalmente bêbados quando o carro perdeu a direção e bateu no muro de uma igreja próxima à sua casa. O jovem, que estava no carona, ficou tetraplégico e seus amigos tiveram apenas ferimentos leves.

Desde o acidente, Tiago teve que enfrentar muitos obstáculos para voltar as suas atividades normais, entre eles, o preconceito, que fez com que ele se sentisse excluído da sociedade e ocasionando inclusive, na perda de muitos amigos, o que marcou sua aproximação ao esporte.

O jovem deu a volta por cima e hoje além de jogar Rugby pela Andef conseguiu retornar as suas atividades normais, e inclusive fez uma participação especial na novela "Viver a Vida". Tiago no entanto, consegue consciliar trabalho, esporte, competições, sai com os amigos e ainda tem a linda missão de ajudar a salvar muitas vidas por meio da conscientização.